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3.10.04

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)
Despenquei no Box cinemas de São Gonçalo para conseguir ver esse filme. AS sessões de Icaraí estavam lotadas e no desespero, foi o que eu fiz. E apesar de eu ter chegado em casa à 1 da manhã, valeu a pena... "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" é um clássico instantâneo e o melhor filme que Jim Carrey vai fazer em sua existência. "Brilho eterno..." só atesta o que eu já sei e gostaria que todos entendessem: qualquer relacionamento em geral "Vai terminar em lágrimas". A diferença é se você está disposto a aceitar isso ou não.
O filme começa quando Joel Barish (Jim Carrey, que merce um parágrafo só para ele) acorda com um humor diferente e, ao invés de ir para o trabalho, resolve tirar o dia para dedicar-se a autocomiseração numa praia (num dia glacial). Lá, ele acaba cruzando com a excêntrica Clementine (Kate Winslet) e, apesar da timidez de Joel tentar boicotar qualquer tentativa de conversa, eles acabam se envolvendo num encontro que torna-se mágico sem sair da esfera da realidade. O filme corta para o final do relacionamento, que acaba numa nota tão amarga que Clementine procura o consultório da Lacuna (com cara de clandestino), para apagarJoel da memória e, assim, começar do zero. Acidentalmente, Joel descobre e, com os sentimentos feridos, resolve apagá-la da memória, praticamente por despeito.
O elenco é de 1º classe: protagonistas Jim Carrey e Kate Winslet (a mocinha de TITANIC finalmente apareceu em um filme decente) acompanhados de Elijah Wood (sem aqueles cabelos longos e os pés grandes de SENHOR DOS ANÉIS) e Kirsten Dunst (isso mesmo, a Mary Jane do homem-aranha está em cartaz novamente.)
O mais interessante de tudo é como o filme é colocado. Ele aparece fora de ordem e você tira várias conclusões no decorrer do filme... no fim todas elas caem por terra. É mocionante ver o personagem de Jim Carrey (Joel) tentando salvar a Clementine de sua memória. As tiradas cômicas são muito boas e nada exaustivas. Nada de piadinhas comuns das comédias românticas. Aliás, esse filme não possui ujm gênero definido... é como uma mistura de comédia, drama, suspense e romance. Talvez o drama e o romance seja mais significativo no filme.
É difícil falar de "Brilho eterno..." sem acabar revelando um ou outro segredo da história, mas o filme, de qualquer jeito, se desenrola feito um quebra-cabeça chinês, então eu tenho que pedir que você agüente firme caso a primeira meia hora pareça confusa. A história acompanha não só Joel e Clementine, mas també m a equipe responsável pelo apagamento: o doutor Howard (Tom Wilkinson), seu assistente convencido (Mark Ruffalo) e a secretária biruta (Kirsten Dunst) com quem namora e o "estagiário" Patrick (Elijah Wood).
O problema das comédias românticas, que eu acho um tipo de filme ofensivo, é que nunca são sobre duas pessoas que se apaixonam. Na maioria das vezes, um tem que ser super-rico (ou super-qualquer-coisa), o outro super-pobre (ou super-qualquer-coisa), mas ambos com um humor aguçado e tiradinhas rápidas. Tudo bem que "Brilho eterno..." desafia rótulos, mas os protagonistas são pessoas normais. Dolorosamente normais. Eu conheço vários Joels e Clementines, quando não acabo assumindo o papel dos próprios (acho que sou um Joel).
Jim Carrey está perfeito no papel de Joel. E quem achava que as caretas do comediante não eram indicativo de talento, aqui elas sim são utilizadas, mas não de modo a roubar a cena. Ele passa a maior parte do filme numa atuação contida, desaparecendo na timidez de Joel, que quando Carrey "brilha", apesar de surpreendente (e muito engraçado), o modo como o filme exige isso não causa estranheza no público. Carrey me deu um verdadeiro cala-boca, pois eu várias vezes já disse que ele era um palhaço e não um ator.
O roteiro é louco e muito bem amarrado. Não é somente uma experiência que brinca com a mente humana: é um filme triste. Portanto, se você resolver assisti-lo (e eu recomendo que realmente vá), prepare-se para ter vontade de entrar em suas próprias lembranças, buscando pessoas que passaram por sua vida e estão escondidos em cantos isolados de sua mente. E, claro, chegar à conclusão de que nenhum relacionamento é tão ruim a ponto de merecer ser sumariamente deletado da memória. Recomendo a todos que quiserem ir ao cinema se divertir, rir e se emocionar.