11 DE SETEMBRO por Michael Moore
FAHRENHEIT 11 DE SETEMBRO (Fahrenheit 9/11) - Michael Moore
Estava curioso para ver o filme que já é o mais comentado do ano. Peguei a última seção do cinema Icaraí na quinta à noite. Esperava que fosse um documentário, mas ele é um filme explícitamente feito para desmoralizar o Bush nas próximas eleições americanas. Apesar de ser um filme político, ele é excelente, pois ele é uma dura análise da administração do governo Bush após os trágicos eventos de 11 de setembro, feita pelo cineasta ganhador do Oscar Michael Moore que expõe todos os fatos não divulgados pela mídia "liberal" norte-americana.
Com seu humor característico e obstinado compromisso de revelar os fatos, Moore contempla a presidência de George W. Bush e onde ela está nos levando. Ele olha como - e porque - Bush e seus conhecidos evitaram associar o 11 de setembro aos Sauditas, ignorando o fato de que 15 dos 19 seqüestradores eram Sauditas e de que foi dinheiro saudita que fundou a Al Qaeda. "Fahrenheit 11 de setembro" nos leva dentro desta guerra, para contar histórias exclusivas, ilustrando o cruel custo de vidas de soldados norte-americanos e de suas famílias.
Após sua primeira exibição no Festival de Cannes, Fahrenheit 11 de Setembro recebeu uma sessão de aplausos que durou entre 15 e 25 minutos. Esta foi considerada a maior ovação já recebida por um filme em toda a história do festival. O filme é um alívio para os anti-bush, e revoltante para quem ainda duvidava de que ele fosse malvado como dizem por aí. A cada mãe que chora pelo soldado morto, segue um discurso belicista do presidente, e vice-versa. Michael sabe como poucos fazer perguntas constrangedoras sem a menor vergonha na cara. E ridiculariza Bush com todo o capricho.
O começo narra a palhaçada da recontagem dos votos da Flórida nas eleições de 2000 e faz com que a Globo pareça uma santa perto da Fox News. Essa foi uma das coisas que me deixaram de boca aberta. É incrível como o jornalismo norte-americano é sugestionável e noticia a "verdade" de quem tem mais poder. Lembro da Mariah Carey e todas as notícias caluniosas que surgiram a seu respeito desde sua separação do todo poderoso "Tommy Mottola".
Uma grande cena foi a que George W. Bush, já sabendo do ataque a uma torre do World Trade Center, decide manter sua programação e entra na escola maternal para ler com as crianças o livrinho "Minha ovelha de estimação". Quando é informado sobre o ataque à segunda torre, fica por sete minutos apenas folheando as páginas do livro, sem qualquer reação, diante das crianças e da professora. Moore trabalha bem (conseguiu as imagens). Sete minutos sem ação por parte do estadista do país mais rico do mundo num momento de crise, isso já é por si só um material cinematográfico inestimável, com peso e dramaticidade próprias. Bastava colocar uns dois minutinhos intocados da cena que o argumento da estupidez de Bush estaria comprovado – ele lá, lendo sua ovelhinha enquanto o país todo queima em pânico.
A relação da família do presidente com a família Bin Laden é delineada de maneira incriminadora. Todo o desenvolvimento da Guerra do Iraque é brilhantemente delineada e investigada.
As imagens da Guerra são brutais, mas necessárias; as torturas militares aos iraquianos encontram-se aqui - mas a reflexão de Moore sobre o assunto, embora não justifique (especialmente durante a revoltante cena da véspera de Natal), é bem ponderada; As cenas de Bush são tiradas divertidamente de seu contexto e você acaba pensando só uma coisa: "é a encarnação do capeta!".
Uma cena em particular chama a atenção: os oficiais da Marinha tentando arrebanhar jovens de classe baixa a alistarem-se. E eu que achava que vendedores de carro é que mentiam sem a menor vergonha... Sobra até para a Britney Spears. É hilária a cena em que, questionada por um repórter se ela concordava com a Guerra, ela respondeu: "Eu confio no meu presidente". A sequência da cena mostrava cadáveres de crianças sendo levados por um caminhão de carga no Iraque.
Na última cena, George W. Bush ganha a palavra. As imagens de arquivo exibem um pronunciamento acerca da Guerra do Iraque, da queda do mesmo Saddam Hussein que driblou Bush Pai em 1991. Revanchista, o presidente dos EUA evoca o que diz ser um ditado texano: "Se ele me engana uma vez, o problema é dele, mas se me engana duas vezes, então o problema é meu." Diretor e narrador do filme, Michael Moore corta o discurso do candidato à reeleição. A sua voz até ali maliciosamente mansa ganha tom de convocação: "Nós não vamos nos enganar de novo, Sr. Bush!"
Procure assistir ao filme, seja qual for sua opinião política e analise os fatos. Você não sairá do cinema com o pensamento que entrou.

1 Comments:
Oi Léo! Tá mto show esse seu blog novo!!! Este filme parecer ser mto interessante!!!! Um enorme abraço pra vc!!!
Letícia
http://www.ovelhalele.weblogger.com.br/
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Anônimo, at 3 de outubro de 2004 20:12
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